Título: Onde vivem as lembranças
Autor: Pierry Collins
Gênero: Romance, Thriller
Páginas: 421
Ano: 2016
Classificação: 5/5

Sinopse: Onde vivem as lembranças é um moderno thriller que retrata as batalhas travadas por Benjamin Winters, em busca de suas origens e de suas verdades, a partir do momento em que sua mãe, Abigail Winters, no leito de morte, começa a guiá-lo através de um incomum e intrincado caminho, deixando-lhe "encomendas" e "peças" de um complexo quebra-cabeça que ele precisa desvendar para descobrir a si mesmo em meio a terrenos movediços, inférteis e impróprios para o cultivo de suas esperanças.
Benjamin é um jovem advogado nova-iorquino, cadeirante, portador de uma grave enfermidade chamada artrogripose, que lhe atingiu os membros inferiores desde tenra idade. Sua busca se inicia em The Big Apple, na convulsionada Nova Iorque, Estados Unidos, de onde ele parte para Cottonwells, cujos dias amenos da primavera se contrapunham, ousadamente, ao vaguear do valente filete de água limpa e tranquila do singular Stone –– um "sobrevivente" incomum do tempo e testemunha fiel daquele lugarejo, encravado a leste de Minnesota, cujo solo estava impregnado de recordações, com o propósito de reescrever sua história, suas próprias verdades e decifrar os "enigmas" de sua vida, apesar das perdas repentinas e de seu consequente medo, ao saber que Abigail e Albert Winters não eram seus pais biológicos.
"Às vezes, regressar é preciso".

SOBRE O AUTOR

Pierry Collins é mineiro de Governador Valadares. Oficial da Polícia Militar de Minas Gerais e, nas horas vagas, um inveterado amante da leitura e, especialmente, da arte de escrever. Em seu autodidatismo, considera-se apenas alguém que observa com mais precisão aquilo que, geralmente, a maioria das pessoas deixou de enxergar ao redor de si mesmas. A inspiração para “Onde vivem as lembranças”, seu primeiro romance, após centenas de poemas ainda não revelados, nasceu desta mesma paixão e destas mesmas contemplações, conjugada com um esforço e dedicação diários que perduraram por três anos.

"Os livros têm os mesmos inimigos que nós, homens: o fogo, a umidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo. Por isso, os protejo exatamente disso: do fogo, da umidade, dos bichos, do tempo e de mim mesmo, pois livros são, em sua essência, sonhos singularmente materializados, cultivados no coração de homens e mulheres que, simplesmente, viam aquilo que outros deixaram ou não queriam ver mais. São como um imenso jardim que, da mesma forma, precisa ser protegido desses mesmos elementos."


MINHA OPINIÃO

Olá meus queridos leitores, tudo bem?

Estou trazendo um livro que chegou de uma forma inesperada e conquistou um espaço no meu coração. A essência da história está escondida em suas palavras, nos símbolos e desvendar tudo isso foi gratificante.

A capa, mesmo sendo simples, tem uma simbologia muito grande. Até onde meus conhecimentos chegam, a folha de outono significa mudança e a sua cor vermelha, pode ser interpretada como uma história que envolve força e coragem, porém, pode envolver perigo. O vermelho, no Oriente Médio, significa destino.

Benjamin Winters é um jovem advogado, portador de uma doença grave e rara chamada artrogripose, que atingiu seus membros inferiores e por conta disso, usa cadeira de rodas, sua fiel companheira. Vive em Nova Iorque e leva uma vida normal. Tem uma bela namorada, chamada Katherine Bale, é filho de médicos reconhecidos, possui alguns amigos e uma governanta, a imigrante mexicana Aurora Pellegrini, uma pessoa fundamental em sua vida. No entanto, tudo que ele acreditava existir e todo o ambiente em que ele cresceu, pode ser uma completa mentira, as pessoas que ele conhece, na verdade, são peças de um tabuleiro que envolve uma história ainda maior e extraordinária. O estopim disso tudo foi a morte de sua mãe, Abigail Winters, descrito logo no primeiro capítulo, deixando inúmeras incógnitas e tesouros escondidos, que são desvendados ao longo da jornada que este jovem viajante inicia.

A história é contada em primeira pessoa, a partir da visão de Benjamin. Viajamos entre o passado e o presente, de uma forma fascinante e muito bem explicada. Cada capítulo está bem alinhado e o ambiente é reproduzido esplendidamente, com muitos detalhes. O suspense não acaba e em cada capítulo existe algo novo, é como jogar um puzzle de 2 mil peças, onde cada coisa se encaixa, mas para chegar ao objetivo final, você precisa ter paciência e encontrar as peças perfeitas em seus respectivos lugares.

Uma das coisas que gostei bastante e permaneceu por todo o livro, foi a linguagem do autor. Muito bem escrito, tem sentimento e esconde muitos significados entrelinhas. Existem citações, no decorrer da história, de diversos escritores e suas obras, além de pintores e personalidades que são bastante conhecidos, a maneira como se encaixam é positivamente surreal. Não existem buracos, tudo, de alguma forma, está ligado e foi uma das coisas que mais me encantou neste livro.

Existem palavras chaves que são destacadas durante toda a leitura, creio que sua função é estar fixada na mente do leitor, uma delas é a palavra destino. Essa repetição, de alguma forma, traz uma concentração maior na trama, além disso, faz parte da mensagem escondida dentro desse livro.

Os personagens foram muito bem desenvolvidos, entre eles, posso citar Aurora Pellegrini como sendo uma das minhas favoritas e dotada de uma imensa sabedoria. 

Ainda assim, houveram detalhes que não cheguei a apreciar tanto, mas, isso é de cada um. São cenas que envolvem romance entre personagens — é uma questão mais pessoal e que não faz diferença, não muda nada no conteúdo. 

Sim, além do suspense e da história do Ben, encontramos outros personagens que podem ser passageiros ou estarem interligados com o personagem principal. Eles também são interessantes e com muitos ensinamentos, entre eles, está Kiet e todo o mistério envolvido com a sua vida e a cultura do seu país.

Onde vivem as lembranças apresenta a importância do perdão. Notamos como regressar ao local onde tudo começou, gera em nossa trajetória, um sentido que esquecemos de vez em quando. O autor também retrata a espiritualidade de cada personagem com muito respeito, podemos ver a evolução em cada um e conhecer um pouco mais sobre a cultura oriental, mais precisamente na Tailândia. A importância da família e da sua origem, além de um olhar diferenciado para assuntos, muitas vezes evitado, como a morte. Por esses e muitos outros motivos, recomendo esse livro escrito por Pierry Collins. Ele pode ser encontrado na Amazon e acredito que, da mesma forma que aconteceu comigo, você ficará cativado com cada capítulo.

"Sanuk, Sabai, Saduak! (...)Seja feliz, permaneça sereno e contente-se com aquilo que a vida lhe oferece!"

Até a próxima!


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